Se tudo está sob controle, você está indo muito devagar
Mario Andretti
domingo, janeiro 27, 2008
Respirar a eternidade
As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas
até certo ponto.
Duram o infinito
variável no limite
de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar
que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria
se tornam,
absoluta,
numa outra (maior)
realidade.
Começam a esmaecer
quando nos cansamos,
e todos nós cansamos,
por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos
que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser
e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor
ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno
fica esse gosto ocre
na boca ou na mente,
sei lá,
talvez no ar.
Carlos Drummond de Andrade
As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas
até certo ponto.
Duram o infinito
variável no limite
de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar
que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria
se tornam,
absoluta,
numa outra (maior)
realidade.
Começam a esmaecer
quando nos cansamos,
e todos nós cansamos,
por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos
que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser
e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor
ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno
fica esse gosto ocre
na boca ou na mente,
sei lá,
talvez no ar.
Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, janeiro 25, 2008
quarta-feira, janeiro 16, 2008
sábado, janeiro 05, 2008
sábado, dezembro 22, 2007
quinta-feira, novembro 22, 2007
terça-feira, outubro 23, 2007
quinta-feira, outubro 11, 2007
terça-feira, outubro 02, 2007
quinta-feira, setembro 27, 2007
segunda-feira, setembro 24, 2007
O TEMPO
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
A que se deu o nome de ano,
Foi um indivíduo genial!
Industrializou a esperança,
Fazendo-a funcionar
No limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
Se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
E tudo começa outra vez,
Com outro número
e outra vontade de acreditar
Que daqui para diante
vai ser diferente.
(Carlos Drummond de Andrade)
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
A que se deu o nome de ano,
Foi um indivíduo genial!
Industrializou a esperança,
Fazendo-a funcionar
No limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
Se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
E tudo começa outra vez,
Com outro número
e outra vontade de acreditar
Que daqui para diante
vai ser diferente.
(Carlos Drummond de Andrade)
segunda-feira, setembro 10, 2007
O guarda-chuva
Há entre nós, eu e o guarda-chuva, uma velha quizilia, mercê da qual nunca fomos bons camaradas. Esse objeto fúnebre, negro, que parece um triste viúvo sempre de luto e pingando lágrimas é de per si signo de mau tempo e de tempestades.
Lembra um longo morcego pendurado e bamboleando no braço do pedestre ou uma asa murcha de Satanás desmoralizado.
Em casa é sempre incômodo. Aberto, dá azar. Fechado, colocado num canto após um temporal, enxarca o assoalho com uma pocinha de água como se ali um cachorro sem raça se houvesse acoitado e feito pipi. Muito luluzinho de estimação já apanhou, sem culpa, por causa de um guarda-chuva.
Como arma de defesa não presta: quebra à toa e uma guardachuvada é sempre amortecida pelo pano.
Queiram ou não queiram, porém, essa barraquinha errante é necessária, senão indispensável.
Menotti del Picchia
Há entre nós, eu e o guarda-chuva, uma velha quizilia, mercê da qual nunca fomos bons camaradas. Esse objeto fúnebre, negro, que parece um triste viúvo sempre de luto e pingando lágrimas é de per si signo de mau tempo e de tempestades.
Lembra um longo morcego pendurado e bamboleando no braço do pedestre ou uma asa murcha de Satanás desmoralizado.
Em casa é sempre incômodo. Aberto, dá azar. Fechado, colocado num canto após um temporal, enxarca o assoalho com uma pocinha de água como se ali um cachorro sem raça se houvesse acoitado e feito pipi. Muito luluzinho de estimação já apanhou, sem culpa, por causa de um guarda-chuva.
Como arma de defesa não presta: quebra à toa e uma guardachuvada é sempre amortecida pelo pano.
Queiram ou não queiram, porém, essa barraquinha errante é necessária, senão indispensável.
Menotti del Picchia
sábado, setembro 01, 2007
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